sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Delicatessen

Postado por Daniel

2006 - Jazz + Bossa
Gênero: Jazz / Bossa Nova


Tive uma grande surpresa ao descobrir o som do grupo brasileiro de jazz e bossa nova Delicatessen. Música da melhor qualidade, arranjos belíssimos, um repertório fascinante e músicos competentes.

O grupo surgiu em 2006, através da parceria de Beto Callage, um aficionado e pesquisador do jazz, e Carlos Badia, músico gaúcho, que, ao descobrirem na voz delicada e afinadíssima de Ana Krüger um potencial para a fusão do jazz com a bossa nova, convidaram os músicos Mano Gomes (bateria) e Nico Bueno (Baixo) para criar o Delicatessen.

O álbum “Jazz+Bossa” (2006) marcou a estreia do grupo e desde então foi considerado como um dos maiores destaques da música independente nos últimos anos. Recebeu muitos elogios de críticos brasileiros, como Nelson Motta e Roberto Mugiatti, e também foi indicado para o prêmio Tim de Música 2007, na categoria Melhor Disco em Língua Estrangeira. O álbum também foi lançado no Japão, onde tem conquistado o gosto do público e assim divulgando a música brasileira. Em pouco mais de três anos de carreira, o grupo já coleciona várias apresentações, principalmente nas maiores casas de shows pelo Brasil e em alguns países do exterior. Em 2008 o grupo lançou o segundo álbum, “My Baby Just Cares For Me” – que em breve estará aqui no Blog Jazz e Rock – e atualmente trabalham em um terceiro.

Delicatessen não conquistou tudo isso a toa, o som é realmente maravilhoso, essa mistura entre o jazz e a bossa nova é algo que não tem como dar errado, e o grupo ainda trouxe um repertório que com certeza foi escolhido a dedo, como por exemplo, as músicas “In a Mellow Tone” (Duke Ellington), “In a Sentimental Mood” (Duke Ellington), “I Fall in Love Too Easily” (Sammy Cahan & Jule Styne) – eu ouvi e conheci essa música na voz do Chet Baker – “Angel Eyes” (Earl K. Brent & Matt Dennis) e duas músicas próprias “Todos os Dias” (Carlos Badia e Betto Callage) e “Setembro” (Carlos Badia e Beto Callage). Na primeira vez que ouvi o álbum “Jazz+Bossa”, o que me chamou a atenção foi à voz cativante e delicada da cantora Ana Krüger, é algo que impressiona pela qualidade. Delicatessen foi uma grande surpresa em todos os sentidos. Vale a pena conferir e apreciar. Boa Audição!

Track List

01. Angel Eyes
02. In A Mellow Tone
03. Black Coffee
04. In A Sentimental Mood
05. You're Getting To Ba A Habbit With Me
06. The Very Thought Of You
07. Do It Again
08. I Fall In Love To Easily
09. I Love The Way You're Breaking My Heart
10. That's All
11. The Touch Of Your Lips
12. I'm Through With Love
13. Todos Os Dias
14. Setembro



Delicatessen - "In A Sentimental Mood"


Delicatessen "Don't Be That Way" (Teatro CIEE - Porto Alegre)


Site Oficial: Delicatessen e Twitter: Clique e Siga

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jô Soares e o Sexteto: "Rabada com Agrião"

Postado por Daniel



Jô Soares é mesmo sensacional. Na última terça feira (31) estava assistindo o programa e quando voltou do intervalo o Jô começou a cantar a música "Rabada com Agrião". Eu ri demais com a letra e quando menos esperava estava cantarolando o refrão (a única parte que guardei). Fui na internet pesquisar e vi vários vídeos da música e consequente uma explicação sobre ela. Segundo o próprio Jô, "Rabada com Agrião" é uma adaptação baseada na música "Saturday Night Fish Fry" do Louis Jordan. Na verdade o Jô já cantou a música diversas vezes. E hoje (07) não foi diferente, estava assistindo e o Jô cantou de novo, não deu outra, aproveitei para postar o vídeo aqui no Jazz e Rock. Vale a pena conferir e rir um pouco. Boa Audição e Boa Noite.


domingo, 5 de setembro de 2010

Dave Brubeck Quartet

Postado por Daniel

1961 - Time Further Out
Gênero: Jazz


Dave Brubeck é um dos grandes nomes do jazz. A música sempre esteve presente em sua vida, principalmente por ser de uma família musical, isso fez com que Dave começasse muito cedo no piano - aos 4 anos - aprendendo com sua mãe, e depois aos 9 anos já se empenhava no violoncelo. Apesar disso, Dave não era muito aplicado em aprender métodos, sua vontade era apenas compor suas músicas e toca-las, talvez por isso nunca aprendeu a ler partituras. Mais tarde, já na faculdade, Dave quase foi expulso do curso, após um professor descobrir que ele não sabia ler partituras, a sorte foi que os outros professores o defenderam apontando seu talento em contraponto e harmonia, porém o mais surpreendente foi que a faculdade temia que isso pudesse causar um escândalo e propôs que Dave só receberia o diploma se ele concordasse a nunca dar aulas de piano. Dave também estudou com o compositor francês Darius Milhaud. Em 1951 o pianista criou o seu quarteto, que nos primeiros anos teve algumas mudanças de bateristas e baixistas. Mais foi entre os anos de 1958-1967 e com a seguinte formação, Dave Brubeck (piano), Eugene Wright (baixo), Paul Desmond (saxofone) e Joe Morello (bateria) que o quarteto lançou dois álbuns clássicos.

Em 1959 o quarteto gravou “Time Out”, um dos álbuns mais revolucionários do jazz. Nesse álbum, o quarteto literalmente brincou com o tempo das músicas, prova disso é a clássica “Take Five”, tocada em 5/4. Porém Dave Brubeck Quartet, não parou por ai e dois anos depois lançou “Time Further Out” (1961), um álbum que continuou o excelente trabalho do anterior, porém uma forma ainda mais inovadora. Destaque para “Bluette”, uma música com um ar sombrio, melódica e com um toque sutil e cadenciado que acompanha o saxofonista Paul Desmont e Dave Brubeck. “Far More Drums” é tocada em 4/5 e o baterista Joe Morello literalmente rouba a cena, em uma apresentação impecável. “Unsquare Dance” começa e termina acompanhada pelas palmas, enquanto o baixista Eugene Wright executa grooves perfeitos. Em “Bru's Boogie Woogie” o quarteto embala um jazz swing e Dave Brubeck simplesmente arrasa no piano. “Blue Shadows In The Street” é uma balada bem cadenciada. O álbum ainda traz duas faixas bônus, “Slow And Easy” e “It's A Raggy Waltz” na versão ao vivo tocada no Carnegie Hall. Uma curiosidade em relação à capa do álbum, ela que na verdade é um quadro do pintor Joan Miró e que seria usada no álbum “Time Out”, mais por falta de tempo para cuidar da parte legal para usar a imagem, Dave Brubeck foi pessoalmente até o pintor pedir autorização e assim utilizou no álbum “Time Further Out”.

“Time Further Out” é daqueles álbuns que deve ser apreciado com calma, para que nada passe despercebido, a principio parece estranho devido a variações de tempo, digo isso por que senti isso, mais depois acabei me acostumando e vendo toda a genialidade do Dave Brubeck Quartet atrás disso.

Aproveito para deixar meus agradecimentos ao Edison Jr. (parceiro do blog Musicólatras) que me apresentou e upou o álbum. Alias confiram a postagem dele no Musicólatras sobre o Dave Brubeck, está imperdível. Boa Audição !

Track List

01. It`s a Raggy Waltz
02. Bluette
03. Charles Matthew Hallelujah
04. Far More Blues
05. Far More Drums
06. Maori Blues
07. Unsquare Dance
08. Bru's Boogie Woogie
09. Blue Shadows In The Street
10. Slow And Easy (A.K.A. Lawless Mike)
11. It's A Raggy Waltz (Live At Carnegie Hall)



Dave Brubeck Quartet - "It's A Raggy Waltz"


Site Oficial: Dave Brubeck

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Miles Davis

Postado por Daniel

1992 - Doo-bop
Gênero: Jazz / Funk / Hip Hop


Falar sobre Miles Davis tem sido um prazer muito grande, principalmente por que através da sua música consegui entender melhor o jazz e principalmente no que diz respeito a suas vertentes. Por isso não poderia deixar de falar do álbum “Doo-Bop” (1992), o último lançando por Miles Davis.

Como sempre digo nas postagens do Miles Davis, ele foi um inovador, criou vários estilos de jazz, como por exemplo, o fusion, cool jazz, o jazz-rock, entre outros. Durante toda sua carreira, Miles Davis sempre buscou algo novo, levou muita critica por isso, mais em nenhum momento pensou em desistir, pelo contrário, a cada novo álbum, o trompetista surgia com algo novo. Para o seu último álbum, estava claro que não seria diferente, “Doo-Bop” foi lançado em 1992, um ano após a morte do trompetista. Nesse álbum Miles Davis fez algo praticamente improvável, ele criou a fusão entre o jazz, funk e o hip hop, o resultado foi uma sonoridade que ninguém conhecia e que sequer pensavam em tentar criar. “Doo-Bop” traz nove músicas, sendo as “Fantasy” e “High Speed Chase” póstumas, ambas foram criadas a partir de pré-gravações feitas por Miles Davis. O álbum foi produzido pelo rapper Easy Mo Bee, que também fez participação nas músicas, juntamente com AB. More Jr. No repertório a excelente “Chocolate Chip”, onde a bateria dita o ritmo, acompanhado pelo som inconfundível do trompete de Miles Davis, “Mystery” é mesmo misteriosa, uma música que começa com uma pegada funkeada, enquanto Miles executa pequenos solos no trompete, “High Speed Chase” é um pouco mais agitada que as outras, possui uma batida contagiante e rápida, novamente Miles Davis esbanja habilidade no trompete, “The Doo Bop Song” segue a mesma linha das demais, com uma batida ritmada e com a pegada bem funk/hip hop, enquanto Miles manda ver no trompete.

Miles Davis não poderia ter encerrado sua carreira de outra forma, o trompetista buscou inovar a cada momento. Não só conseguiu isso, como mudou completamente a história do jazz, Miles Davis mostrou ao mundo que o jazz poderia buscar outros horizontes e se aliar a outros estilos, prova disso foram as várias fusões criadas pelo trompetista. Boa Audição!

Track List

01. Mystery
02. The Doo Bop Song
03. Chocolate Chip
04. High Speed Chase
05. Blow
06. Sonya
07. Fantasy
08. Duke Booty
09. Mystery (Reprise)



Miles Davis - "The Doo Bop Song" (Original Video)

domingo, 29 de agosto de 2010

Guthrie Govan

Postado por Daniel

2006 - Erotic Cakes
Gênero: Jazz Fusion


Não. Guthrie Govan não é mais um guitarrista “fritador”, apesar de ser considerado um guitarrista shredders (guitarristas que usam a velocidade e muita técnica em suas composições), Govan tem um diferencial entre os demais, é a habilidade em mesclar vários estilos em suas composições. Porém não é só isso que chama atenção no guitarrista, o seu visual anos 60 é fantástico, até parece que Govan acabou de voltar do Woodstock. Bom sem mais delongas, segue abaixo um breve histórico sobre esse fenomenal guitarrista.

Guthrie Govan nasceu em Ghelmsford (Inglaterra) em 1971. Como todo bom músico, começou a se aventurar na guitarra muito cedo, aos três anos e teve seu pai como o grande incentivador. Govan pode-se dizer que foi um autodidata, no inicio aprendia tudo de ouvido, sem ajuda de professores. Sua primeira apresentação aconteceu aos nove anos, Govan tocou junto com seu irmão em um programa de TV chamado “Ace Reports”. Além da música, Govan também gostava muito de gramática e por isso estudou língua Inglesa na Universidade de Oxford, porém não foi muito longe e decidiu abandonar para se dedicar exclusivamente a sua carreira musical. Enquanto sua carreira não estava consolidada, Govan se viu na obrigação de trabalhar em uma rede de fast food. Mas foi em 1991 que as coisas começaram a dar certo, Mike Varney da Shrapnel Records teve a oportunidade de ouvir uma gravação demo de Govan e após se impressionar com a técnica do guitarrista, ofereceu um contrato de gravação, convite que Govan acabou recusando, por achar que não era o momento certo. Passado dois anos, Govan inscreveu a música “Wonderful Slippery Thing” em um concurso da Guitarist Magazine’s e ganhou o prêmio de “Guitarrista do Ano”. Esse prêmio abriu as portas para várias oportunidades, uma delas era a de transcrever a peça de “Shawn Lane” na revista Guitar Techniques e assim Govan passou a ser um colaborador fixo da publicação. Govan também trabalha como professor de guitarra e deu aulas em várias instituições, é conhecido por ensinar uma variedade de estilos. O guitarrista também publicou dois livros voltados para técnicas e ensino de guitarra, o primeiro “Cutting Edge Techniques” e o segundo “Advanced Techniques”.

Em 2001 o guitarrista fez parte da banda inglesa de rock progressivo Asia e permaneceu até 2006. No mesmo Govan e os músicos John Payne e Jay Schellen (ambos da banda Asia) formam o GPS e lançam naquele mesmo ano o álbum “Window To The Soul” (2006). Govan também tocou no álbum “Your Music is Killing Me” (2007), o primeiro do grupo inglês The Young Punx.

O álbum “Erotic Cakes” (2006) é o seu primeiro trabalho solo, um álbum fantástico, nele Govan explora e demonstra suas técnicas da melhor forma possível, sem deixar de lado suas influências, como Jimi Hendrix, Eric Clapton, Steve Vai, Yngwie Malmsteen e Joe Pass. O interessante é que em nenhum momento o álbum fica cansativo, Govan consegue mesclar as técnicas usadas no passado com as atuais, tudo isso com muita habilidade. Tudo isso com um toque jazzístico. Para a gravação do álbum Govan foi acompanhado pelo irmão Govan Seth (Baixo) e Pete Riley (Bateria), e conta com a participação dos guitarristas Richie Kotzer e Bumblefoot e do saxofonista Zak Barrett (The Fellowship). “Erotic Cakes” é uma boa pedida para quem está a procura de novidades e uma dose extra de boa música. Boa Audição!

Track List

01. Waves
02. Erotic Cakes
03. Wonderful Slippery Thing
04. Ner Ner
05. Fives
06. Uncle Skunk
07. Sevens
08. Eric
09. Slidey Boy
10. Rhode Island Shred
11. Hangover



Guthrie Govan - "Bullet Blues"


Guthrie Govan - "Funky Blues"


Site Oficial: Guthrie Govan

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Miles Davis

Postado por Daniel

1970 - Bitches Brew
Gênero: Jazz / Fusion


Miles Davis foi um dos mais completos músicos de todos os tempos, sua colaboração na história da música pode-se dizer que é incalculável. O trompetista conseguiu criar um capitulo à parte dentro do jazz, reinventou o jazz, aperfeiçoando, adicionando novos elementos, resumindo, Miles Davis era um músico a frente do seu tempo, um camaleão musical.

Miles Davis iniciou sua carreira dentro do bebop e ao longo dos anos, usando toda sua genialidade e habilidade, o trompetista revolucionou ao criar o cool jazz, jazz modal, jazz-rock e o fusion. Pode-se dizer que a carreira do trompetista foi dividida por fases. Porém vamos nos limitar aos anos 60 e começo dos anos 70, na época, no final da década de 60 as influências do Miles Davis incluíam músicos da cena acid rock - rock psicodélico que se caracteriza por longos solos instrumentais – como, por exemplo, Jimi Hendrix e também músicos do funk, como James Brown e Sly and the Family Stone. Em 1969 o trompetista gravou o excelente álbum “In a Silent Way” e que já mostrava certa revolução, uma delas foi à questão dos músicos, Miles que já dispunha de um quinteto, resolveu aumentar o numero de músicos e para isso trouxe os pianistas/tecladistas Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul, o guitarrista John McLughlin e o saxofonista Wayne Shorter. Ainda 1969, logo depois da gravação do álbum, o baterista Tony Willians deixa o grupo e entra em seu lugar o baterista Jack Dejohnette, porém essa não foi apenas a única mudança, na verdade Miles continuou chamando outros músicos.

Em 1970 Miles Davis lança o revolucionário “Bitches Brew” e que marca uma nova fase na sua carreira e na história da música. Esse álbum é uma especie de produto final, já que nos álbuns anteriores o trompetista já estava realizando algumas experiências. Em se tratando de Miles Davis, o resultado não poderia ser melhor, o jazz-rock criado pelo trompetista era algo inovador para a época, Miles teve a chance de tocar ao lado do Jimi Hendrix, infelizmente esse encontro nunca aconteceu, devido à morte do guitarrista. Com esse álbum Miles foi o unico jazzista a tocar em um festival de rock. Porém Miles Davis não apenas reforçou ainda mais o seu nome no cenário, como abriu as portas para novos músicos, como por exemplo, Jaco Pastorius (baixista), Pat Metheny (guitarrista), Chick Corea (tecladista/pianista) e tantos outros. Com a mistura do jazz com o rock, o gênero logo ganhou novos adpetos, principalmente entre os jovens. Mas nem tudo foi fácil para Miles Davis, muitos músicos da época, que não tinham uma visão do futuro, passaram a criticar o trompetista.

O álbum foi lançado na versão dupla e teve a capa desenhada pelo artista alemão Abdul Mati Kalrwein, que depois disso passou a ser requisitado por vários artistas, entre eles, Santana e Hermeto Pascoal. São 93 minutos de um jazz-rock frenético e inspirador, Miles Davis mais uma vez mostra sua habilidade em moldar a música conforme a sua vontade e claro tudo isso com o apoio dos músicos excelentes que o trompetista chamou. No repertório “Pharaoh’s Dance”, “Bitches Brew”, “Miles Runs The Voodoo Down”, entre outras.

Nos anos seguintes, Miles gravou alguns álbuns, porém essa fase foi encerrada em 1972,mas em se tratando do Miles Davis, logo deu inicio a outra fase, ainda mais controversa e revolucionária. Gostaria de falar muito mais, mais nas postagens do Miles, tento encaixar o álbum em um contexto (época), mais você pode ler a Biografia do trompetista e conhecer os álbuns da próxima fase, inclusive aqui mesmo no Jazz e Rock, você irá encontrar alguns. Boa Audição !

Disco 1

1.Pharaoh’s Dance
2.Bitches Brew

Disco 2

1.Spanish Key
2.John McLaughlin
3.Miles Runs The Voodoo Down
4.Sanctuary
5.Feio

(ATUALIZADO)

Site Oficial: Miles Davis

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Daniel Santiago

Postado por Daniel

2006 - On The Way
Gênero: Jazz / MPB / Música Instrumental Brasileira


Conheci o trabalho do Daniel Santiago através de um comentário do também violonista Márcio Faraco. Daniel iniciou sua vida musical aos 7 anos, passando por vários estilos como: choro, MPB, Rock e Jazz. Fundou com Hamilton de Holanda e Rogério Caetano o elogiado “Brasília Brasil Trio”, com o qual lançou o disco “Abre Alas” pela gravadora Velas no ano de 2001. Com Hamilton de Holanda quinteto participou de festivais nos Estados Unidos, França, Itália, Espanha, Holanda, Portugal e Córsega além das principais capitais do Brasil. Daniel acompanhou em 2001, 2002, 2003 nos shows de encerramento do “Clube do Choro de Brasília", o grande músico Hermeto Pascoal e já se apresentou ou gravou com os seguintes artistas : João Bosco, Ivan Lins, Djavan, Toninho Horta, Maria Betania, Ney Matogrosso, Flávio Venturini, Guinga, Ed Motta, Leila Pinheiro, Dominguinhos, Zélia Duncan, Dudu Nobre, Dona Ivone Lara, Bily Blanco, Adriana Calcanhoto, Miúcha, Elza Soares, Carlos malta, Rita Ribeiro, Leo Gandelman, Pagode Jazz Sardinha´s Club, Garrafieira, Choro na Feira, Lula Galvão, Yamandú Costa, Arismar do Espírito Santo e outros, internacionais: Jonh Paul Jones (Led Zeppelin), Didier Lockwood, Richard Galiano, Linley Marthe, Felipe Cabrera. Também produziu o disco de Gabriel Grossi (Arapuca - Delira Music) e Juntos, excursionaram pela França e Itália, Irlanda. Com o instrumentista Carlos Malta se apresentou para o “Projeto Pixinguinha” em 2004 no Brasil e 2005 em Paris. Daniel participou de documentários como: “Quebrando Tudo” sobre Hermeto Pascoal, “O Prazer de Tocar Juntos” sobre a nova geração de músicos de Brasília, “Mandolins Attack” e “Vinicius de Moraes" (documentário francês sobre o poeta).

“On The Way” (2006) é o primeiro álbum solo gravado pelo violonista e contém nove composições escritas e arranjadas por ele. No repertório as excelentes “On The Way”, “Homesick”, “Old Times” e duas músicas que prestam uma homenagem aos grandes violonistas brasileiros como Toninho Horta e Guinga em “Horta e Guinga” e Baden Powell em “Tribute to Baden”. Daniel Santiago (violão) é acompanhado pelos músicos André Vasconcellos (baixista) e Márcio Bahia (bateria). Boa Audição.

Track List

01. Viewpoint Listen
02. On the Way Listen
03. Memory Listen
04. Horta & Guinga Listen
05. Tribute to Baden Listen
06. Homesick Listen
07. Plateau Listen
08. Old Times Listen
09. New Generation Listen



Hamilton de Holanda & Daniel Santiago


Site Oficial: Daniel Santiago

A Biografia do Daniel Santiago foi retirada do site Clube do Choro

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Review: Iron Maiden - "The Final Frontier" (2010)

Postado por Daniel

Por Daniel Argentino

Desde que foi anunciado o lançamento do 15º álbum de estúdio do Iron Maiden, os fãs e a mídia especializada aguardaram ansiosamente por alguma novidade. O lançamento estava previsto para o segundo semestre de 2010 e no decorrer dos meses a expectativa aumentou ainda mais quando o Iron Maiden decidiu disponibilizar em seu site oficial o primeiro single do álbum: “El Dorado”. Na ocasião houve até contagem regressiva no site e não precisa dizer que o congestionamento foi inevitável. O mundo inteiro queria ouvir a nova música da Donzela de Ferro. Pouco tempo depois outra novidade, a banda disponibilizou o primeiro vídeo clipe com a música “Satellite 15...The Final Frontier”. O clipe muito bem produzido por sinal.

Eu tive a oportunidade de ouvir e não me arrependo nem um pouco por isso. E desde o momento que ouvi, senti a necessidade de expor minha opinião sobre o álbum. Resolvi postar a resenha hoje, dia 16 de Agosto, por ser a data do lançamento oficial do álbum.

Li em alguns sites que a gravadora EMI promoveu um evento para audição do álbum, onde muitos jornalistas estiveram presentes. Depois disso choveu análises de todos os lugares do mundo, falando sobre “The Final Frontier”, aos poucos o mistério ia sendo revelado. E uma semana antes do lançamento oficial, aconteceu o inevitável: o vazamento do álbum na internet.

O álbum “A Matter of Life and Death” (2006) foi o último lançado pela banda e me agradou muito pela sonoridade e as letras, claro que eu não esperava nada igual aos clássicos dos anos 80, mas de certa forma fiquei satisfeito com o que eu ouvi. Desde o “Brave New World” (2000), que contou com a volta do Bruce e do Adrian, o Iron vem numa mudança constante, talvez por que não precisam provar mais nada a ninguém e também por que as pessoas mudam e consequentemente suas ideias, é o curso natural da vida. O fato é que “The Final Frontier” soa tão desafiador e inovador, quanto os álbuns “Brave New World”, “Dance Of Death” e “A Matter of Life and Death”.

Porém o primeiro impacto foi sentido logo no lançamento da capa, que foi divulgada na internet um tempo antes dos outros materiais. Esqueça o Eddie dos álbuns anteriores, o mascote criado por Derek Riggs e que ficou conhecido de várias formas, entre elas o ciborgue e o morto vivo, agora no desenho elaborado por Melvin Grant, o mascote mais conhecido do heavy metal, ganha traços alienígenas, no melhor estilo predador.

Em relação às músicas a Donzela novamente surpreendeu, tanto no instrumental quanto nas composições bem elaboradas. Segue abaixo uma breve resenha faixa-a-faixa.

01.Satellite 15...The Final Frontier: (Harris/Smith) Foi a segunda música divulgada pela banda, junto com o vídeo clipe. Assim como “Aces High”, “Be Quick Or Be Dead” e “The Wicker Man”, não é dificil imaginar que talvez essa seja a escolhida para abrir os shows do Iron na proxima turnê. Os 4 primeiros minutos soam estranhos demais, uma mistura instrumental com guitarras distorcidas, baixo e batera em um som alucinante, isso sem falar do Bruce que entra cantando em meio ao turbilhão sonoro. Em seguida a música começa com uma levada bem hard rock, o peso é inevitável, as guitarras surgem com riffs bem estruturados e um solo marcante, e claro Bruce Dickinson com um vocal cada vez mais preciso, oscilando em uma linha melodica e agressiva.

02.El Dorado: (Harris/Smith/Dickinson) Os fãs já estavam familiarizados com essa música, afinal foi o primeiro single do álbum. Começa com o peso das guitarras e a batera de Nicko McBrain, em seguida entra uma das marcas registradas do Iron Maiden, aquele som cavalgado, eis que surge o baixo preciso de Steve Harris acompanhado pelas guitarras. A música passa por momentos diferentes, o começo forte e pesado, até entrar em um refrão melódico, onde Bruce mostra mais uma vez toda sua técnica, o solo apesar de muito bem executado, não apresenta nenhuma novidade. O interessante é o final, digamos ao melhor estilo clássico.

03.Morther Of Mercy: (Harris/Smith) Lembra e muito as músicas do álbum “A Matter of Life and Death”, por dois motivos, o instrumental e a temática da letra: guerra. Sem falar que por mais diferente que ela possa ser, é uma música que tem a “cara” do Iron Maiden. O inicio é marcado pela guitarra melódica, uma intro muito bem feita, a voz do Bruce aparece de maneira suave, com um ar sombrio, porém bem melódico, a música até parece uma balada, mas não se enganem. Novamente o Iron usa e abusa do peso, a música ganha outra direção, com muita pegada, riffs bem colocados, viradas precisas de Nicko McBrain, o baixo marcante de Steve Harris e a letra com um refrão grudento, uma marca registrada do Iron.

04.Coming Home: (Harris/Smith/Dickinson) Pode ser considerada como a primeira balada do álbum, uma melodia bem sutil, que oscila durante toda a música, o inicio bem cadenciado e depois de um refrão impecável, a música ganha um toque mais pesado, mas nada exagerado. Essa música é outra que podemos chamar de “marca registrada”, o solo é emocionante, melodia pura. Certamente irá agradar a todos, sem dúvida uma das melhores do álbum.

05.The Alchemist: (Harris/Gers/Dickinson) Uma surpresa até certo ponto esperada, se é que posso dizer assim. Essa música nos remete aos velhos tempos, lá nos anos 80. Um heavy metal tradicional clássico, com um andamento bem mais rápido, guitarras, baixo e bateria a mil por hora, Bruce cantando com muita propriedade e relembrando os bons tempos. Uma música que se encaixaria muito bem no álbum “Powerslave”.

06.Isle Of Avalon: (Harris/Smith) A introdução dessa música lembra e muito as do álbum “Seventh Son Of A Seventh Son”, primeiro por causa do ritmo acelerado, é possível ouvir com clareza o baixo do Steve Harris e a bateria de Nicko McBrain em uma batida sincronizada, enquanto Bruce surge com uma voz em um tom baixo e cadenciado, a música segue o mesmo ritmo por alguns minutos, porém o tom de voz de Bruce sobe ainda mais, até que a música muda completamente e ganha um tom bem mais pesado e acelerado, destaque para o desempenho do Bruce, inquestionável. O solo começa em meio a um som bem progressivo, Nicko McBrain simplesmente mandando muito bem, enquanto o solo de guitarra é executado. Depois do solo a música oscila, são 9 minutos de um heavy metal frenético e muito bem tocado. Não comparando, mais essa música lembra alguns pontos da “Paschendale” (álbum Dance of Death). “Isle Of Avalon” merece um destaque a mais no álbum.

07.Starblind: (Harris/Smith/Dickinson) Abre com uma introdução curta, melódica, com Bruce cantando em um tom mais baixo, até que o peso das guitarras muda completamente o sentido da música, transformando em um heavy metal bem pesado e com a mesma pegada melódica do inicio. O destaque vai para Adrian, Dave e Janick, os três estão perfeitos, executando os solos com muita maestria e sem atropelamentos, cada um contribui da melhor forma possível e o resultado não poderia ser melhor. “Starblind” lembra as musicas do “Brave New World”, não possui uma sequencia lógica, a música parece que vai ganhando forma conforme é executada, essa é a sensação.

08.The Talisman: (Harris/Gers) Começa com toque folky, sombrio e misterioso, Bruce com toda sua experiência, canta cada palavra em um tom sinistro, como se estivesse contando uma história de magia e terror. Quando menos se espera a banda surge com todo peso, Bruce que cantava calmamente, muda completamente para um vocal agressivo e melódico, em um tom muito mais alto, acompanhado pelos riffs de Adrian, Dave e Janick, e o baixo marcante de Steve Harris. “The Talisman” caberia tanto no “A Matter of Live and Death” como no “Dance of Death”. São 9 minutos de um heavy metal contagioso, destaque para Bruce Dickinson, que impressiona pela sua forma de cantar. Aos 52 anos, Bruce continua mandando bem demais e com fôlego de um jovem em inicio de carreira.

09.The Man Who Would Be King: (Harris/Murray) Tem um começo sombrio e harmonioso, os solos curtos anunciam mais uma daquelas músicas épicas do Iron Maiden. E não demora muito para descobrir isso, depois de uma introdução lenta, onde Bruce canta de maneira bem melódica, a banda surge com peso, Nicko McBrain parece anunciar em sua batera um inicio avassalador, tudo parece meticulosamente preparado, até que, Bruce surge cantando com toda força, cercado por palhetadas precisas e com Steve Harris novamente inspirado em seu fender. O tom progressivo é evidente, a banda muda o sentido da música de uma hora para outra, destaque para Nicko McBrain que se mostra muito bem nas viradas e nos ritmos quebrados, afinal sua batera gigante dita o ritmo para a banda. Assim como as outras que eu citei, “The Man Who Would Be King” poderia muito bem ter saído do álbum “A Matter of Live And Death”.

10.When The Wild Wind Blows: (Harris) Épica. Não há outra palavra para descrever essa música. Baseada na história em quadrinhos – que tem o mesmo título – de Raymond Brigg, que fala sobre um ataque nuclear na Inglaterra. A música começa com o sopro do vento, enquanto uma introdução surge melódica, em seguida Bruce começa a cantar com o mesmo tom baixo das outras músicas, até que a música rompe em um tom bem mais alto, as guitarras ditam um ritmo melódico e Bruce segue cantando de um jeito fascinante e emocionante. Essa música é épica em todos os sentidos, a letra escrita por Steve Harris, é um misto de desolação e terror, anunciando um ataque nuclear e mostrando a sensação das pessoas, talvez de encontrar um abrigo ou então de não poder fazer mais nada a não ser, sentar e esperar pelo pior. “When The Wild Wind Blows” é um clássico anunciado, uma das melhores músicas gravadas pela Donzela, são 11 minutos que passam num piscar de olhos, a música prende o ouvinte de uma maneira que há como descrever em palavras. A atmosfera criada pela música é muito variada, cheio de melodias, solos e que termina da mesma forma que começou, um instrumental melódico, Bruce em um tom quase sussurrado e o sopro do vento.

Esse álbum é a prova de que o Iron Maiden continua mais vivo do que nunca. “The Final Frontier” surpreendeu em todos os sentidos, as letras bem elaboradas – que sempre foram uma marca registrada da Donzela – o instrumental foi criativo e inspirado, a sensação que passa é de uma banda renovada e livre para fazer o som que quiser. O Iron Maiden encerra mais uma década no auge, que começou com “Brave New World”, depois “Dance of Death”, “A Matter of Live And Death” e por fim “The Final Frontier”. O resultado é uma banda equilibrada, Dave, Adrian e Janick literalmente “voando baixo” nas guitarras, com muita inspiração e determinação, Nicko McBrain sempre preciso e comandando sua batera gigante como ninguém, Steve Harris continua soberano no baixo, tocando como sempre e Bruce Dickinson mantendo a sua boa performance nos vocais, talvez ainda melhor, devido a sua experiência.

Se “The Final Frontier” será um clássico, só o tempo irá dizer, mas uma coisa o álbum já é capaz de mostrar, que o Iron Maiden continua soberano no assunto heavy metal. Up The Irons!

Iron Maiden - "When the Wild Wind Blows"


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